As condições práticas para uma vida feliz, segundo a filosofia de Epicuro: para uma vida mais feliz hoje

 

 A felicidade é um “objeto” buscado pelo o homem desde os tempos primordiais da existência do homo sapiens sapiens, a busca por uma satisfação e contentamento da consciência é uma busca a qual o ser humano coloca-se em detrimento da sua conservação, ligado a essas necessidades encontramos a filosofia epicurista nascida no século IV a.C., momento a qual a filosofia irá migrar a reflexão coletiva para a individual, sendo colocado como centro discursivo a felicidade.
O epicurismo foi uma corrente filosófica fundada na Grécia antiga a qual busca a vida feliz utilizando como base para o alcance da felicidade através do prazer, tendo este uma fundamentação dentro de um aspecto distinto do que seria o prazer instintivo sem uma base propulsora de intencionalidade racional, sendo o prazer totalmente reflexivo e análogo à ausência de incômodos, tristezas, doenças, sendo estabelecido no entanto segundos as próprias argumentações da escola epicurista que o prazer é a ausência de pertubação mental e física.
Devemos pautar que a felicidade para a filosofia epicurista não é o alcance de uma euforia desenfreada e sim uma construção racional, empregada para a vida prática em sociedade, viver feliz é viver de acordo com os preceitos básicos de contentamento gerado pelo apaziguamento e com estabilidade emocional , tendenciando ao prazer de forma prudente, para assim atingir a verdadeira felicidade.
As possibilidades para atingir os demais prazeres surgidos e o bom aproveitamento é possível devido a ausência de pertubações mentais e físicas, ou seja, devido ter acesso a um prazer primeiro, mínimo e gerado por coisas mínimas, se colocando como prerrogativa o fato de o prazer ser ausência de pertubações, gerando assim a paz de espírito.
Epicuro divide o prazer em três tipos, sendo eles naturais necessários, naturais e não necessários e os não naturais. Explicitando com maior afinco, essas divisões: os naturais e necessários aponta para o mínimo a qual deve ser usado como manutenção do ser, ou seja, dentro de uma proposição interrogativa do que realmente é necessário para que o ser humano possa viver confortável, sem a busca de aspectos desnecessários que aponte para o exagero de determinadas formas de agir, ou seja, acesso a alimentação e vestimenta básica para que o indivíduo possa manter o seu corpo saudável, moradia para proteção; a segunda forma de prazer são os naturais não necessários, na qual os indivíduos podem aproveitar, porém tomando os devidos cuidados, estipulados pela prudência, para então não ter o risco de fazer com que estes prazeres possam se apossar da parte racional das pessoas, transformando eles , os prazeres, em vício, que para os gregos estar relacionado a desmedida, trazendo indeterminação a sua condição prática de convívio consigo mesmo e com os outros, por esses motivos, deve o indivíduo ter os devidos cuidados para o melhor aproveitamento dos prazer não necessários prazeres de forma sábia; o terceiro tipo de prazer são os não naturais, aos quais os indivíduos não devem de forma alguma procurar, como a glória, a riqueza, a fama, entre outros, pois os prazeres não necessários existe apenas como convenção de uma sociedade, dispensáveis em todos os aspectos, uma vez que trás o lado oposto daquilo a qual o indivíduo quer, quando busca este tipo de prazer, desgastando eles facilmente.
A prudência é determinante para que o indivíduo possa atingir a ataraxia e daí em diante atingir a estabilidade psíquica e a felicidade pelo prazer de forma continua, o indivíduo deve sempre procurar a paz de espírito e para que isso ocorra Epicuro fala que tanto a alma como o corpo devem está livres de pertubações, devendo livrar-se delas o mais prontamente possível, para a alma Epicuro recomenda que devemos lembrar de imagens do passado agradáveis ou pensar em imagens a qual nos diz de um futuro que possa ser diferente do que está nos apresentando, pois quando ativamos a memória isto trás coisas que são boas para o espírito, pelo afastamento – do tempo presente – a qual é posto, distanciando daquela dor, a qual nos aflige no presente.
Podemos deduzir que a questão do remédio para a saúde psíquica está ligeiramente abastecida pela convencionalidade temporal, então tempo e saúde da alma estão ligados na concepção epicurista.
Em relação a saúde do corpo devemos cuidar das dores físicas e sana-las o tão logo quanto possível, podemos assim estabelecer sem mais delongas a mediação entre saúde do corpo e a parte medicinal, sendo a medicina algo que estar posto externamente e que interfere na parte interna, do ser humano. Porém vale também o distanciamento temporal a qual foi dito anteriormente, pois torna-se necessário pensar em outras possibilidades a qual o futuro possa guardar.
Na relação saúde da alma, encontramos um processo que acontece inteiramente internamente, o indivíduo com ele mesmo, em relação a saúde do corpo verificamos a razão de uma interferência externa que irá fornecer a possibilidade para a modificação a qual deve ser realizada internamente, posteriormente.
Podemos concluir em relação a felicidade é algo a que depende dos esforços da própria pessoa, pois depende da decisão da parte psicológica do indivíduo para buscar a saúde da alma e do corpo, pois se a consciência não quer e não se preocupa para com isto, em casos de doenças o indivíduo não irá curar-se, o indivíduo é inteiramente responsável por busca-la e alcança-la, deve buscar a felicidade por meio de um interim de fomento, pois corpo e mente (alma), andam juntas.
A felicidade, em Epicuro, seria o equilíbrio, ou seja, a virtude , inerente a cada um de nós, exercida pela prudência, atingida pela busca do prazer, sendo o prazer , a ausência de pertubações da alma e do corpo.

 

Referências: 

MELANI, Ricardo. Diálogos: primeiros estudos em Filosofia. 2. ed. São Paulo. 2016.

MARCONDES; Danilo. Iniciação à história da Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgenstein. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

ARANHA; Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando. Introdução à Filosofia. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2009.

 

 

 

 

 

 

 

Epicuro de Samos; A felicidade; Grécia Antiga; Filosofia;  Filosofia e Felicidade; MELANI, Ricardo. Diálogos: primeiros estudos em Filosofia; MARCONDES; Danilo. Iniciação à história da Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgenstein; ARANHA; Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando. Introdução à Filosofia; Filosofia Helênica; Filosofia Helenística; saúde da alma; ataraxia; os prazeres em Epicuro; eudemonismo;  

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s