A filosofia existencial do Francês Jean Paul-Sartre (1905-1980)  teve muita influência na França a qual foi saturada pela Segunda Guerra Mundial, sendo a filosofia existencial de Sartre conceitualizada na ideia de liberdade, ideia está levada ao extremo do que podemos chamar de liberdade.

Sartre foi muito provavelmente o filosofo que em vida conseguiu atrair mais atenção, podendo transforma em vida a sua filosofia em uma verdadeira manifestação cultural ascendente na França.

Para Sartre tudo que tem existência, exceto o ser humano, é irracional,  assim  estão presos a sua própria existência, dentro da sua funcionalidade, não podendo deliberar.

 

Sobre a mesa de jacarandá, há  uma carta fechada. Apanho, na gaveta, uma faquinha para abrir envelopes – corta – papel é o termo exato. Este corta-papel, especificamente é herança de minha avó; o cabo é adornado por uma excêntrica, mas perturbadoramente  verossímil cabecinha de cachorro. A lâmina é cega, exceto pela ponta, que se afina em ânulo abrupto. Tudo nesse objeto (exceto a efígie canina) serve a uma função clara: abrir papéis. Introduzo a ponta da lâmina na fresta da pala, faço um movimento seco e rápido com a mão. Excelente, essa faquinha. Não sei quem produziu, mas o sujeito sabia o que estava fazendo.

José Francisco Botelho (Livro: A Odisseia da Filosofia; Uma breve história do pensamento ocidental; Editora Super Interessante) 

 

No texto citado acima, o objeto do corta – papeis, foi feito para uma finalidade; sendo ele criado racionalmente pelo homem, sendo este um objeto que a essência precede a existência, pois a finalidade dele é clara.

Devido a ausência de racionalidade dos animais, eles são presos dentro das possibilidades que lhes são colocadas, então eles apenas existem. Um animal não cria a sua individualização, segue o instinto, que lhe é próprio; o que não é o caso do homem, pois embora com limitações tem a liberdade de realizar, da sua existência, o que quiser.

A importância da sua filosofia está exatamente na radicalização do humano, tendo como princípio o próprio ser humano e nada além, tirando assim a responsabilidade da divinização da natureza – como é de praxe na filosofia antiga – e também do divino no sentido religioso; por este motivo primeiro existimos, e somente posteriormente nós construirmos a nós mesmos.

 

 

”Primeiramente, o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define”. 

Jean Paul-Sartre

 

 

Segundo Sartre todo homem está condenado a ser livre, tendo ao seu dispor o poder de escolha para o que deseja realizar, uma vez que a existência do homem vem antes de qualquer coisa, podendo assim ser responsável pela sua realidade.

Para Sartre você é aquilo que você faz, ou seja, são as suas atitudes que irão definir a sua identidade; são as suas decisões que vem após a existência que define quem você é; sendo assim, eu existo primeiro e posteriormente defino qual será a minha essência, pois se não há deus antes que definiu quem é a pessoa que sou, que pré-estabeleceu uma série de regras, definindo assim, anteriormente qual seria a minha essência, então, eu existo antes de qualquer coisa, e eu posso definir qual será a minha história.

 

 

“Quanto aos homens não é o que eles são que me interessa , mas o que eles podem se tornar”  

Jean Paul-Sartre

 

 

Há em Sartre uma liberdade criada dentro de uma individualidade que é posta dentro de uma radicalização extrema, assim também o tempo ganha uma nova significação, uma vez que se há está liberdade extrema então cada ser humano, em cada época a qual vive tem a liberdade de ser quem ele quiser, e fazer a sociedade a qual ele deseja; sendo assim podemos dizer que este é um ponto de convergência entre a individualidade e coletivo; trazendo assim para dentro desta filosofia aquela a qual é o seu maior problema, a angústia.

A angustia é gerada devido a esta extrema liberdade a qual o ser humano tem;  livre de qualquer superioridade divina a qual pode lhe instrui por meio de regras, definindo assim a sua vida; o homem sapiens sapiens (o homem sabe que sabe)  fica perdido diante das possibilidades de escolha, podemos escolhermos, ser o que quisermos ser, e temos que nos responsabilizarmos por nossas ações, caso contrário usaremos de má fé.

A má fé em Sartre é quando a pessoa se exime da responsabilidade dos seus atos; como o ser humano é livre então ele deve escolher o que ele quer para ele e também deve assumir as suas responsabilidades diante do mundo.

O homem é totalmente responsável por si mesmo, por sua história e consequentemente pela história dos outros que estão a sua volta; sendo assim a minha ação é livre e tem que representar aquilo que afirmo no mundo como válido, tendo a ciência que as minhas escolhas irão interferir em vidas alheias a minha.

 

 

 “E como se a humanidade jogasse os holofotes sobre você, esperando que você haja, para saber quem ela é, pois o que é o homem? O homem não é nada além do que faz; o que há  é uma sempre renovada definição de homem a partir da vida de todos os homens”

Jean Paul-Sartre

 

 

A filosofia de Sartre nos coloca frente as nossas escolhas, frente aos obstáculo a qual temos; independentemente das dificuldades a qual é apresentada, o individuo tem liberdade para deliberar e agir, sendo assim, é responsável pelo que decide; independente se a nossa liberdade é cerceada, ainda assim temos a responsabilidade de agir e escolher.

 

AUTOR: FAH SAN.

 

O documentário abaixo mostra a importância de Sartre para a sociedade a qual ele viveu, além de ter fatos históricos, a sua bibliografia é colocada também em cena e podemos compreender o quanto estava realmente comprometido com o existencialismo ou como ele à chamava,  filosofia existencial,  filosofia está que levou como modo de vida, indo ao extremo.

 

 

 

 

 

Referencias:

O Livro Da Filosofia/Editora Globo/ DK LONDRES

Botelho, José Francisco. A Odisseia da Filosofia. Editora Super Interessante

 

 

 

 

 

 

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